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Mercedes-Benz 450 SEL 6.9, quando a marca da estrela ousou em criar um sedã em traje esporte

Mercedes-Benz 450 SEL 6.9, quando a marca da estrela ousou em criar um sedã em traje esporte

O Traje Esporte é conhecido por sua casualidade, entretanto é uma vestimenta que transmite elegância e mantém-se extremamente confortável. Talvez essa seja uma das interpretações mais honestas que podemos fazer, quando vamos nos referir ao Mercedes-Benz 450 SEL 6.9 – além de elegante e muito confortável, o sedã de luxo ainda adicionava muita potência, algo inimaginável a um carro que desde o início é pensado para ser guiado de forma pacata.

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Em seu lançamento há 50 anos, esta versão topo de linha da série 116 encantou a imprensa especializada – e também diversos clientes: dirigir o “seis vírgula nove” demonstra a máxima confiança e sofisticação. Pilotos velozes, como o campeão inglês de F1, James Hunt, era grande fã do 6.9, inclusive sendo dono de um exemplar e utilizado como seu veículo diário.

O 450 SEL 6.9 fez uma breve, mas memorável aparição em Ronin, de John Frankenheimer  – um filme que deveria ser obrigatório para quem é apaixonado por automóveis. Foi o carro ao qual o diretor francês Claude Lelouche prendeu uma câmera de 35 mm e dirigiu em alta velocidade por Paris na manhã de um domingo para criar C’était un rendez-vous.

É sem dúvida um dos Mercedes mais incríveis já construídos.

Solidez teutônica

A série de modelos 116 é a primeira geração de veículos da classe executiva da Mercedes-Benz a ostentar o nome Classe S. Lançada em setembro de 1972, ela ganhou vários prêmios, incluindo o de “Carro do Ano” em 1974 para o 450 SE. Em maio de 1975, o 450 SEL 6.9 completa a gama de modelos como sua variante topo de linha; o lançamento para a imprensa do veículo ocorre em Le Hohwald, na Alsácia.

A mídia está entusiasmada, produzindo manchetes como “O melhor carro do mundo” e “O sedã mais rápido do mundo”. Com uma velocidade máxima de 225 km/h, o “seis vírgula nove” está entre os veículos mais rápidos nas estradas na década de 1970. Em meados da década de 1970, sua aceleração de 0 a 100 km/h em apenas 7,4 segundos era rivalizada apenas por carros esportivos muito potentes. 

O 450 SEL 6.9 vem com um pacote de equipamentos de série bastante abrangente. Por exemplo, ar-condicionado, travamento central, piloto automático, vidros elétricos, sistema de limpeza de faróis, estofamento em veludo e cintos de segurança retráteis de para os passageiros da frente e de trás são acessórios de série – recursos que não são de forma alguma padrão na maioria dos outros modelos de 1975. Os bancos traseiros são especialmente espaçosos.

A versão topo de linha da série 116 é vendida exclusivamente na versão longa, com os 100 milímetros adicionais beneficiando os passageiros do banco traseiro. Os opcionais incluem teto solar elétrico (DM 987,90) e o raríssimo telefone de carro Becker AT 160 S (DM 13.542). A lista de preços n.º 16 de 28 de janeiro de 1976 indica um preço base de DM 69.930 para o modelo topo de linha 450 SEL 6.9 da Classe S – mais que o dobro do preço do 280 SEL, a variante de base com longa distância entre eixos da série de modelos 116. 

Como reconhecer o “seis vírgula nove” por fora – além do emblema na tampa do porta-malas? Há três características distintivas: abaixo da grade, há um defletor de ar em forma de crescente, que aumenta o fluxo de ar para o potente motor; o veículo roda com pneus largos 215/70 VR 14 (em comparação com 205/70 HR 14 para outros veículos de oito cilindros e 185 HR 14 para modelos de seis cilindros); e na traseira, o sistema de escapamento duplo tem saídas de escape maiores. Ao contrário da crença popular, as características rodas Fuchs de alumínio forjado não fazem parte do pacote de equipamentos de série deste veículo: mesmo para o 450 SEL 6.9, elas são um opcional listado por DM 1.554,00. 

Um motor V8 com bastante potência e torque

O motor M 100 E 69 é um destaque do 450 SEL 6.9. Este conjunto de oito cilindros é baseado no motor V8 do lendário veículo de prestígio Mercedes-Benz 600 (W 100). O diâmetro do cilindro foi aumentado de 103 milímetros para 107 milímetros, mantendo o curso 95 mm, resultando em um deslocamento de 6.834 cm³. O M 100 gera 286 cv a 4.250 rpm e atinge seu torque máximo de 56 m.kgf a 3.000 rpm. O câmbio automática de três velocidades, embora fundamentalmente a mesma de outros modelos de oito cilindros de 4,5 litros, é adaptada para lidar com a maior potência e o torque aumentado do “seis vírgula nove”. 

Em termos de custos de manutenção, o 450 SEL 6.9 apresenta diversas vantagens. Por exemplo, o mecanismo hidráulico de compensação da folga das válvulas elimina a necessidade de ajustes retrospectivos. Graças a uma junta do cabeçote recém-desenvolvida, não é mais necessário reapertar os cabeçotes. E a lubrificação por cárter seco permite instalar o motor em uma posição mais baixa e estende os intervalos de troca de óleo para até 15.000 quilômetros. O reservatório de óleo tem capacidade para 12 litros!.

Em relação à suspensão, a Mercedes-Benz introduziu um novo conceito no 450 SEL 6.9. Em vez da suspensão pneumática encontrada no 300 SEL 6.3 (W 109) com 184 kW (250 cv), o novo modelo topo de linha apresenta uma variante hidropneumática com controle de nível hidráulico. Quatro elementos de mola também funcionam como amortecedores. Um sistema de óleo pressurizado equilibra o volume de óleo dentro dos amortecedores. Como resultado, a altura do veículo permanece constante e o curso total da mola permanece sempre disponível. 

Peça de coleção

Entre fevereiro de 1975 e setembro de 1980, foram produzidas exatamente 7.380 unidades do 450 SEL 6.9. Hoje, o 450 SEL 6.9 é um clássico muito procurado. “A demanda é consistentemente alta, e exemplares particularmente bem preservados com história documentada são muito procurados”, explica Patrik Gottwick, da Mercedes-Benz Heritage GmbH. Veículos em condições de nível 1 agora alcançam preços superiores a 80.000 euros – e a tendência continua a subir.

Fotos: Mercedes-Benz

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